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JULGAMENTO DE CASOS POLÊMICOS E A RELAÇÃO COM A IMPRENSA FORAM ABORDADOS NO SEMINÁRIO

O evento também trouxe a Manaus, como palestrante, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes.


esmam_com_4Os julgamentos do ex-deputado estadual Wallace Souza, já falecido, e da ex-socialite Marcelaine Schumann, que ganharam as manchetes dos veículos de comunicação da capital em 2009 e em 2014, respectivamente, foram citados pelo juiz de Direito Mauro Antony, titular da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, no último dia do seminário “A Comunicação entre o Poder Judiciário e a Mídia”. O evento, coordenado pela Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam), foi realizado nos dias 15 e 16 deste mês com a participação de juízes e servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), jornalistas, acadêmicos de Direito e de Comunicação Social, pesquisadores e operadores do Direito.

O último dia do seminário foi aberto com a palestra do juiz Mauro Antony - “Direito: casos polêmicos e o trabalho da mídia” -, e o magistrado usou os casos “Wallace” e “Marcelaine” como exemplos para destacar como deve ser, no seu entendimento, o relacionamento do juiz com a mídia, mesmo diante de julgamentos de grande repercussão e comoção. O primeiro caso, inclusive, é objeto de um documentário da produtora britânica Silvervan Productions, com direção do inglês Daniel Bogado, e que terá veiculação internacional a partir de 2019.

Logo depois de Antony, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes, cuja primeira formação foi em Jornalismo, proferiu palestra “O juiz e o relacionamento com a mídia” e deixou claro a importância de um relacionamento harmonioso em benefício da população.

“Por ter começado minha carreira como jornalista no Diário de Pernambuco e depois ter passado a trabalhar no Judiciário, convivi com os dois lados e isso me ajudou muito a entender a dinâmica do trabalho dos profissionais do Direito e da Comunicação”, comentou o ministro.

“O relacionamento da mídia com as fontes” foi o tema da palestra da jornalista Daniela Branches, do grupo Rede Amazônica, que apresentou aos presentes um pouco da atividade diária dos jornalistas de TV e a importância do contato mais próximo com o Judiciário no sentido de levar sempre a informação correta ao telespectador.

“Julgo importantíssimo a realização de eventos como esse, pois proporciona um diálogo franco com representantes do Judiciário e a imprensa. E deixar claro que, apesar de estarmos atuando em atividades diferentes, temos o mesmo objetivo, que é de prestar um bom serviço à sociedade”, afirmou a jornalista.

O evento terminou com a palestra da professora doutora Edilene Mafra, que abordou a questão do “jurisdiquês”, com o tema “O vocabulário jurídico ao alcance da população”.

O seminário “A Comunicação entre o Poder Judiciário e a Mídia” abriu o ano letivo da Escola da Magistratura do Amazonas (Esmam), no auditório do Centro Administrativo Desembargador José Jesus Ferreira Lopes, prédio anexo à sede do Tribunal, e será concluído esta semana com atividade de media training voltado para magistrados do TJAM.

Ministro do STJ

Formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e em Jornalismo pela Universidade Católica do mesmo Estado, o ministro do STJ Og Fernandes, antes do Judiciário, atuou por quase nove anos como repórter de jornal impresso. “Sou do tempo em que o Judiciário era visto como uma ‘caixa-preta’, por conta de seu distanciamento da sociedade. Por muito tempo, sobretudo, entre os anos de 1964 e 1985 (período da ditadura militar), o Judiciário, a meu ver, tinha uma desculpa para este distanciamento, mas a partir do processo redemocratização do País surgiu a necessidade de modificar esse discurso”, afirmou o ministro.

Com a experiência de quem atuou na reportagem e hoje, na magistratura, o ministro falou sobre algumas ‘lições’ que o Judiciário pode extrair do Jornalismo. Uma delas, segundo o ministro, é a linguagem, onde o julgador, por vezes, em suas sentenças, se distancia do entendimento dos jurisdicionados. “Temos a missão de escrever com clareza para que o cidadão a quem destinamos nossa decisão possa entender”, comentou Fernandes.

O ministro também tratou das características profissionais que diferenciam as duas áreas e alertou para o perigo de não respeitá-las. “O jornalismo, por sua natureza, preza pelo imediatismo. No Judiciário, contudo, não podemos ser imediatistas, pois para decidir precisamos examinar, e esse exame requer tempo”, lembrou, salientando que o Judiciário e o Jornalismo são “paralelas que se cruzam” e revelou que atribui igualitariamente às duas áreas – Jornalismo e Direito – sua formação intelectual e cidadã. “Cada uma delas contribuiu em 50% para minha formação. Sobre o Jornalismo, digo, que foi uma escola de vida. Nele aprendi a ter uma visão de mundo; a ter uma linguagem e uma escrita correta e uma visão do Judiciário (de fora para dentro)”, concluiu.

Texto: Fábio Melo e Afonso Júnior

Edição: Acyane do Valle

Fotos: Raphael Alves


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